31 de janeiro de 2011

Part of you


Alguns dias atrás, em uma tarde preguiçosa, eu estava em casa tomando conta do meu priminho de 3 anos. Ele não parava quieto e eu queria terminar a 2° temporada de Grey's Anatomy, então dei meus brinquedinhos do Kinder Ovo - da época que eram 0,50 à 0,80 centavos - pra ele brincar. É uma coleção bem preciosa no meu ponto de vista, tem algumas miniaturas raras. Peguei a caixinha e coloquei todos eles no chão, os que estavam quebrados ou tinham partes faltando deixei de lado dentro da caixinha.
Ele pegou a caixa e começou a me perguntar o que eram aquelas outras partes, de quais bichinhos que eram e o que faziam. Eu só dizia: "esses estão quebrados, brinca com os outros". Mas com tantos brinquedinhos bonitos e inteiros ele insistia nas partes avulsas.

Foi aí que eu percebi que nós, muitas vezes, também fazemos isso. Nos importamos mais com certas partes do que com o todo referente a uma pessoa.
Estamos sempre à procura do todo, do conjunto completo, mas quando encontramos uma dessas partes em uma pessoa, nós damos mais atenção à ela do que ao resto do conjunto, sem nos preocuparmos em conhecê-lo totalmente.
E quando nos aparece alguém que é o "todo" não damos muito valor por estarmos completamente iludidos com a parte que julgamos perfeita da outra pessoa. Então o todo se cansa de não ser notado e vai embora, levando com ele tudo que acreditamos ser como deveria.

Eu não entendo porque eu me prendo tanto à essa parte de você, a única que eu conheço. Eu realmente gostaria de conhecer todas as suas partes, mas ao que me parece, eu não posso. Você não tem deixado eu me aproximar nos últimos dias. E isso tem me machucado, confesso.
Esse mistério às vezes me consome e acabo fazendo loucuras das quais saio com as feridas mais abertas do que antes, demorando mais pra cicatrizar...
E eu que pensava que a lembrança da sua voz dizendo meu nome compensava o crime, hoje dói só de pensar.

E depois de ter passado toda a dor, eu pensei em como seria bom se pudéssemos separar cada parte que nos agrada, em cada pessoa que passa pela nossa vida e juntar todas elas em uma só. Porém, não seria uma ideia tão boa quanto a surpresa de conhecer alguém assim, completo.


Um beijo. ♥

2 comentários

  1. Realmente, sempre nos prendemos a uma caracteristica de alguém e comparamos essa parte com todas as pessoas que conhecemos - o que não nos satisfaz. Às vezes não percebemos que por julgar apenas essa característica perdemos alguém que tem outras coisas muito mais importantes para nossa felicidade. Temos que aprender a nos desapegar, a encontrar a felicidade em uma característica nossa e não de outra pessoa, mas o ser humano é burro e sempre insiste em viver meia vida, e encontrar a outra metade em outra pessoa. Acho que isso só vai passar quando todos aprendermos que a felicidade fica dentro de nós mesmos e que devemos viver a nossa vida ao máximo. Mas enquanto isso não acontece não é só vc, ou eu, ou qualquer outra pessoa que vai amargar essa dor de não encontrar o que procura, pois a resposta não está onde procuramos. Pode sim existir alguém que possua características que nos façam felizes mas não devemos entregar nossa vida a isso, será sempre sofrimento garantido. Devemos procurar alguém que consiga ser totalmente feliz por conta própria e aprender com essa pessoa, e depois disso, mesmo que não fiquemos com essa pessoa estaremos preparados para as próximas pessoas que entrarão em nossas vidas e com capacidade de ensiná-las a encontrar a própria felicidade fazendo uma bola de neve de pessoas auto-suficientes e consequentemente o mundo um lugar melhor.

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  2. Eu queria aprender a conhecer "o todo". Bem legal o texto. Parabéns

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me diz o que achou :)

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Maira Gall